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O Guia do Chieftain: Posições de Combate

Existem mais fatores a considerar para uma boa defesa do que simplesmente escolher o que parece ser uma boa posição de batalha. De acordo com o FM 17-15, o manual de pelotões do Exército dos Estados Unidos que data de 1996 (e o mais recente aprovado para lançamento geral à data da redação desse artigo), uma das características da defesa é a flexibilidade: “Um indicador crucial de flexibilidade é a capacidade de se deslocar rapidamente sob quaisquer condições da arena de batalha, entre posições de combate primárias, alternadas e suplementares, bem como as PBs subsequentes”.

Aposto que você não sabia que existiam tantos tipos de posição. Passo a explicar:

As posições de combate primárias e alternadas são orientadas nos mesmos setores de fogo. As posições de combate suplementares orientam-se em diferentes setores de fogo. As PBs subsequentes são orientadas em setores de fogo ao longo da mesma rota de abordagem das posições primárias/alternadas. As PBs suplementares são orientadas em setores de fogo ao longo de diferentes rotas de abordagem.

Posições de Combate

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Posições de Batalha:

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A diferença entre uma posição de combate e uma posição de batalha é que a última é uma área em que um tanque ou grupo de tanques deve estar posicionado, enquanto uma posição de combate é a localização individual que um tanque em particular escolhe se posicionar.

Porquê tantos tipos de posição?

É bastante tentador olhar simplesmente para o mapa e escolher uma posição favorita para ocupar. Quando se preparar para se posicionar de forma a mirar a rota mais provável de avanço do inimigo, essa posição pode resultar em você sendo capaz de destruir mais veículos inimigos percorrendo esse caminho antes de ser destruído, mais do que qualquer outra posição no mapa. O que há de errado nisso?

Bem, o primeiro problema é “e se o inimigo decidir não vir pela rota mais provável de abordagem?” Está tudo muito certo em se esconder atrás de uma rocha que lhe dá a cobertura perfeita em relação a Nordeste, mas e se essa é aquela vez em cinco que eles vêm de Noroeste, será que você é capaz de afetar a batalha antes de ser flanqueado? Se não, talvez deva considerar selecionar uma posição de batalha que tenha uma boa posição de combate primária e suplementar, em vez de uma excelente opção primária e nenhuma suplementar.

Se o mapa em que você está o permitir, pode ser boa idéia, em vez de infligir o máximo de dano o mais rapidamente possível, trocar um pouco de espaço por possibilidades de sobrevivência e se mover um pouco. Uma vez que tenha engajado o inimigo, é possível que ele saiba que você está lá e que aja de forma a combater um veículo inimigo naquele local. Você pode esperar artilharia caindo sobre você em 15 segundos, ou uma manobra de flanqueamento acontecendo.

Os tanques podem aumentar suas possibilidades de sobrevivência se expondo ao inimigo apenas o necessário para engajarem ele efetivamente. Minimize a exposição buscando constantemente cobertura efetiva disponível, tentando engajar o inimigo pelos flancos ou permanecendo disperso, disparando de múltiplas posições, e limitando os tempos de engajamento.

Para mais detalhes sobre desenfiamento, veja esse link

Dos últimos três itens, todos são importantes de ter em conta mas são muitas vezes ignorados em jogos de WoT, normalmente em detrimento dos defensores.
Permaneça disperso:

Esse link dá um exemplo dos benefícios de concentrar poder de fogo. Contudo, e isso é muitas vezes esquecido, não é obrigatório massificar nossas forças para massificar o poder de fogo. A artilharia, que não é demasiado precisa na maioria das vezes, particularmente artilharia de níveis mais elevados, que tem um bom efeito de “respingo” de suas munições Explosivas, adora quando as forças se concentram. Todos os cartuchos são vencedores para ela. Uma boa área de engajamento vai permitir fogo concentrado de múltiplas distâncias e direções sobre um único alvo. Não só ter uma linha defensiva dispersa aumenta a dificuldade de o inimigo abater alvos, mas também adiciona na confusão o fato de haver múltiplos projéteis impactando de múltiplas direções.  Além disso, quando um tanque se vira para lidar com um alvo específico, é bastante possível que acabe expondo um lado mais fraco a um outro veículo que esteja engajando ele de outra posição de combate.

Se possível, um grupo de tanques bem disperso vai se posicionar de forma a que todos possam complementar os alcances de engajamento uns dos outros. Por exemplo, um StuG III com o 75mmL/70 cobrindo uma área de engajamento em companhia com um KV-2 com o 152mm pode escolher se posicionar bem na traseira do KV-2, para tirar proveito da efetividade de seu canhão com um alcance mais longo. Se o terreno não permitir isso, e ambos os veículos tiverem de se posicionar lado a lado, o StuG deve considerar segurar seu fogo até que o inimigo tenha entrado no alcance de engajamento do KV-2. Se ele disparar logo que o inimigo estiver ao alcance de seu canhão preciso, corre o risco de ser detetado como o único alvo disponível e receber a atenção das forças inimigas combinadas antes que o KV-2 consiga contribuir efetivamente para o combate. E aí o KV-2 é deixado sozinho para lutar por conta própria e é provável que conheça o mesmo destino que o pobre StuG. Seguindo o princípio de “usar sua arma mais suscetível de causar vítimas em primeiro lugar”, o StuG seria provavelmente mais eficaz esperando para ver o efeito do disparo do KV-2, e acabando com o alvo se necessário, ou passando imediatamente ao próximo alvo se o primeiro tivesse sido destruído. Isso vai resultar em uma destruição mais rápida do primeiro veículo inimigo, bem como oferecer dois alvos em vez de um para os inimigos sobreviventes se preocuparem.

Limite os tempos de engajamento:
A utilidade disso pode depender do tipo de veículo que você está usando. Os padrões históricos de artilharia para uma tripulação de tanques americana, em termos de exposição, eram diferentes dos para tripulações americanas de veículos de combate de infantaria, pois um tanque Abrams consegue aguentar um disparo ou dois, enquanto os Bradleys são muito menos resistentes. Tripulações de Bradleys, em particular, tornam-se proficientes naquilo que é conhecido como “furar bermas”, avançando para uma posição de desenfiamento de couraça para fazer mira sobre o alvo, recuando para se ocultarem por um momento de forma a que o inimigo se vire para engajar um alvo mais vísivel, e depois movendo-se novamente para a frente para disparar outra vez. Idealmente, isso vai causar uma espécie de paralisação de indecisão no inimigo, que está tentando jogar o jogo da toupeira com seus tanques. Especialmente se você tiver um tempo de carregamento rápido, também pode ser boa idéia disparar duas vezes antes de se retirar. Você já está pronto para atirar logo que aparece, por isso, com um tempo de carregamento de três segundos, você consegue ter dois disparos em três segundos. Tanques pesados, no entanto, normalmente podem ficar expostos por um pouco mais de tempo. Até que a artilharia inimiga surja na equação, é claro.

Múltiplas Posições:
Há dois significados para isso. Primeiro, as posições alternadas. Eventualmente, mesmo se você estiver “furando a berma”, o inimigo vai se fazer esperto, ficar no cume da colina onde você continua aparecendo, e esperar até que você decida se mostrar. Ou, mesmo que você não se exponha, a artilharia vai atirar mais ou menos em redor da zona atrás de onde você apareceu. A solução para isso, embora possa lhe tomar mais tempo e reduzir sua taxa de fogo ofensivo, é se mover para o lado (uma distância aproximadamente equivalente ao comprimento de dois tanques) depois de se retirar, assumindo a posição alternada, e aparecer num ponto para o qual o inimigo ainda não está apontando. Pela altura em que o inimigo já rodou e esperou para que o círculo da mira diminuísse, você já deverá ter tido a chance de disparar e recuar de seguida.

O outro significado para “múltiplas posições” é a posição subsequente. Isto é particularmente exequível em terrenos ondulados ou urbanos, e tem por base o princípio de “morte por mil cortes”. Em particular, se você é o veículo mais fraco e não consegue suportar o dano que pode advir de ficar e lutar, não fique no final. Simplesemente dispare alguns tiros, enfraqueça o inimigo um pouco, e depois retire-se para a próxima posição e faça isso de novo. Esperemos que em cooperação com outros tanques de seu time que viram a ameaça e vão se juntar a você na próxima área de engajamento. O inimigo vai assumir que você continua na mesma posição, a não ser que veja você se afastando, e por isso vai perder tempo nesse local e dar-lhe a chance para se reposicionar. É por isso que uma boa posição de batalha deve ter uma via de fuga: uma via em que o tanque que está se retirando pode se mover sob cobertura e sem estar exposto aos olhos inimigos. Se sua posição de batalha não tem mais nada senão espaço aberto atrás de você, isso significa que selecionou uma posição “Die-In-Place”: Se ficar, vai morrer. Se tentar se retirar completamente à vista de Deus e do Inimigo, você vai morrer. Mapas com colinas ondulantes, como Steppes ou Redshire, são excelentes para esse tipo de tática de retirada.

Mas então, quando deve se deslocar? O FM 17-15 afirma o seguinte:
“O deslocamento pode se tornar necessário em vários tipos de situação. Por exemplo, um inimigo em superioridade numérica pode forçar o pelotão a se deslocar para uma PB subsequente. Em outra situação, uma penetração ou avanço do inimigo em uma rota secundária de abordagem pode exigir que o pelotão ou uma secção do mesmo ocupe PBs suplementares ou posições de combate. [...] Os critérios de desengajamento são maioritariamente baseados em um número e tipo especificados de veículos inimigos alcançando um local especificado (normalmente chamado ponto de quebra) para desencadear o deslocamento. Outras considerações, como suprimentos de munição e poder de combate aliado, também influenciam a decisão de se deslocar.”

Não há muito a acrescentar. O problema não está no entendimento do conceito, mas sim no fato de os jogadores acabarem ficando fixados em um alvo, especialmente quando o confronto parece estar correndo bem, e ignorarem seus próprios critérios de deslocamento. Como dizia a música The Gambler, “You got to know when to hold ‘em, know when to fold ‘em, know when to walk away, know when to run. The secret to survivin' is knowing what to throw away, and knowing what to keep.” Uma defesa móvel bem sucedida será levada a cabo por um jogador com autodisciplina para se retirar antes que a situação fique feia. Ou, como acontece muitas vezes, antes que um disparo de artilharia de 203mm se venha enterrar na blindagem do tejadilho.

*Sim, “Orientado”. “Orientado” é na verdade uma palavra mas é bastante mal usada e não se adequa aqui.


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