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A Escotilha do Chieftain: Criando "Corações de Ferro"

A Escotilha do Chieftain
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Há bastante tempo que nós não temos um bom filme para tanqueiros. Olhando para a minha lista de “filmes obrigatórios de assistir para tanqueiros”, que é bem abrangente para incluir Monty Python - Em Busca do Cálice Sagrado, no que se refere a verdadeiros tanques estamos a falar de décadas, não de anos: A Fera da Guerra, Os Guerreiros Pilantras. As Guerras do Pentágono.  E os dois últimos nem sequer são sérios. A cena em Uma Ponte Longe Demais, em que os guardas irlandeses de Michael Caine irrompem pela linha defensiva alemã, é provavelmente um dos melhores exemplos de grandiosidade de tanques-e-artilharia  em celulóide, mas principalmente porque não temos muito mais opções. Portanto, como presumivelmente todos os outros tanqueiros, eu tenho estado atento ao desenvolvimento de Corações de Ferro, desde que foi anunciado. Então, como resultado, quando fui convidado para passar pelo estúdio de produção (acho que eles ouviram dizer que eu gosto de tanques e sei algumas coisas sobre eles), não foi precisa muita persuasão para eu fazer um desvio pelo Reino Unido a caminho de casa vindo da Rússia. Uma vez que, na E3, tornámos público que nós, na Wargaming, temos estado em conversações com os caras do Corações de Ferro, essa é uma altura tão boa como outra qualquer para vos contar o que eu assisti.

A primeira paragem foi nos icónicos Estúdios Pinewood.  Era uma autêntica colmeia cheia de atividade. Me disseram que estavam sete filmes em produção nesse momento (e me desafiaram a identificar o veículo estranho que tinha visto sendo preparado no cenário de James Bond). Fui imediatamente encaminhado para o escritório do guionista/realizador do Corações de Ferro, David Ayer, e a primeira coisa que vi foi o modelo de terreno de um campo. A segunda coisa foi outro modelo de terreno de uma cidade. Modelos de M4s, semilagartas, Panzers e outros equipamentos estavam espalhados pelo escritório. Provavelmente, estavam mais pessoas lá, mas eu não reparei em mais nada senão nos tanques. Verdade seja dita, estava demasiado impressionado/entusiasmado para me lembrar de tirar fotografias ou notas. Mas havia muitas fotografias lá.  Metade das paredes estavam cobertas por fotografias e materiais de referência de tanques. A sala seguinte tinha todas as paredes forradas com fotografias e outras referências a tanques, armas, infantaria e edifícios.

Se tornou imediatamente claro que o Sr. Ayer tem um interesse pessoal nesse filme, ao discutirmos o background do projeto. Começamos a entrar em detalhes mais específicos e ele foi capaz de acompanhar onde a maioria das pessoas normais com quem falo sobre tanques começa ficando com os olhos vidrados. Durante um debate sobre as diferenças dos modelos de produção de tanques Tiger, ele rapidamente saca de uma cópia do livro Tiger, de Spielberger, e vai diretamente para a página certa. É óbvio que ele próprio tem estado investigando. (Também vi Zaloga, Jentz e Fletcher durante minha análise rápida da estante).

Ele não é o único. Um de seus colaboradores mais experientes, um irlandês chamado Owen, estava irradiando felicidade ao abrir uma nova encomenda de uniformes e mostrá-los ao Sr. Ayer e a mim. Copiados diretamente dos originais, até aos símbolos dos fabricantes nas costuras interiores, são aparentemente os uniformes mais detalhados alguma vez usados em um filme de guerra. Tenho de acreditar na palavra dele, mas, de qualquer modo, o seu entusiasmo pareceu sufientemente genuíno. De qualquer modo, eu não fui certamente o primeiro tanqueiro a checar o guião: Havia alguns detalhes que só realmente um tanqueiro poderia saber e entender.

Momentos depois, deixei o Sr. Ayer voltar ao trabalho, e fomos visitar o resto da equipe. Havia planos e fotos de tanques por todo o lado. Não apenas planos, também vi uma impressão de um escaneamento LIDAR do interior de uma torre de M4 para replicação. (Eles tiveram de fazer uma torre e um casco falsos com páineis de acesso removíveis para poderem introduzir a câmera, mas felizmente, eles vão fazer o interior como deve ser).

Basicamente, tive direito à visita VIP. Em passagem por uma das áreas de adereços, vi uma enorme coleção de caixotes, bidões, pneus... Exatamente como na guerra a sério, realmente, muitos mais ativos de apoio do que armas. Assisti a um Kubelwagen sendo preparado, e uma cozinha de campanha alemã sendo construída a partir de madeira crua. Estou espantado com o nível de empenho que estava sendo depositado naquele cenário além do trabalho que ainda seria feito, tendo em conta que as filmagens começavam no mês seguinte. Mas isso era apenas o início.

A próxima paragem, depois de almoçarmos na fascinante confusão de Pinewood, foi o outro estúdio de produção, em Longcross. Construir uma cozinha de campanha não é nada.

Entre os tanques usados para fazer o filme, eles usaram o Tiger 131 mas, por alguma razão, Bovington não deixa que façam ele explodir. Então eles fizeram um. Ou, na realidade, como estavam trabalhando em uma segunda torre, fizeram aparentemente mais do que um.

Mas aqui vai a parte mais legal. Longross costumava ser a versão local da Aberdeen Proving Ground dos EUA. As marcas dos testes de suspensão e das lagartas ainda se veem no terreno do estúdio do filme. Um grande edifício redondo de vidro marca o local onde as torres do tanque Chieftain foram testadas. E esses “Tigers” não são os primeiros lá.

Esse é o Tiger 131 na fotografia no livro (o relatório de exploração do Tiger na 2.ª Guerra Mundial). Repare nas semelhanças entre o edifício no fundo do livro e o edifício verdadeiro. Pois é, eles construíram os Tigers exatamente no mesmo edificio onde o Tiger 131 foi avaliado há quase 70 anos atrás. Quão legal é isso? Tem minha aprovação e do Owen também.

Infelizmente, a minha foto da pessoa responsável por esse trabalho não resultou, mas essa não é a primeira vez que ele está construindo tanques para filmes.

Mas espere, tem mais! Eu desconfio que pelo menos um M4 no filme vai ter um final infeliz.

Ignore os manequins nessa foto. Ela foi tirada através de um vidro blindado em um posto de observação de um dos edifícios.

O painel de instrumentos indica que foi parte de umas instalações de teste de motores. O vidro blindado era porque esses motores podiam ser testados até à destruição, e eles não queriam ver seus engenheiros serem atingidos por bocados de motores que explodiram. Muita consideração da parte deles. A propósito, sinais de trânsito indicam que Chobham é quase a próxima cidade, outro local importante no percurso desenvolvimento de tanques. A serendipidade deste lugar para filmar é excelente.

Vou ficar por aqui nessa história. O Sr. Ayer me disse que seu filme favorito é o Apocalipse Now, por isso ele queria acabar esse artigo imitando o Tenente-Coronel Kilgore, ao posar usando um chapéu como o seu.

Tenho de confessar que fiquei muito impressionado com todo o esforço e paixão que estão evidentemente patentes nessa produção, entre todo o staff (é claro que eu não tenho bastidores de outro filme para comparar!) e estou muito ansioso para ver como tudo evolui e qual será o produto final.

Quero expressar o meu enorme agradecimento, especialmente a Messers Alex Ott (Coprodutor) e Owen Thornton (Produtor Associado) por despensarem parte do seu dia para me mostrarem tudo, e ao Sr. Ayer e restante staff de Corações de Ferro por me receberem tão bem. Foi uma visita fascinante.

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